A Independência dos Estados Unidos da América História História de A Independênc

A Independência dos Estados Unidos da América

 - História

Os Estados Unidos são a maior potência econômica e militar do planeta. Seu PIB corresponde a mais de um quarto da produção econômica mundial. O imenso território é banhado pelos oceanos Atlântico e Pacífico. Seus recursos naturais e sua diversidade de paisagens atraíram milhões de imigrantes nos séculos XIX e XX. Os EUA ocupam posição central no comércio e no sistema financeiro internacionais, mas enfrentam sérios desequilíbrios sociais internos. O inglês firma-se como a principal língua internacional e o "modo de vida norte-americano" exerce influência global através do cinema, música e TV.

Fatos Históricos
O território dos Estados Unidos era habitado por indígenas semi-nômades na época em que Cristóvão Colombo descobriu a América, no fim do século XV. Nos séculos XVI e XVII, o território norte-americano é colonizado por europeus - espanhóis, franceses, britânicos, suecos e holandeses. Em 1607, o capitão John Smith desembarca na costa da Virgínia e funda Jamestown, o primeiro povoado britânico permanente no chamado Novo Mundo.

Os primeiros escravos negros começam a chegar da África em 1619 para trabalhar nas colônias britânicas. No ano seguinte, puritanos ingleses fundam Plymouth. Entre 1630 e 1640, uma grande migração de colonos britânicos povoa Massachusetts e Connecticut. Tropas britânicas tomam a província de Nova Holanda dos holandeses em 1664. A província e sua capital, Nova Amsterdã, são renomeadas como Nova York. A região é recapturada pelos holandeses em 1673, mas cedida aos britânicos no ano seguinte. No final do século XVII, a França toma posse da Louisiana.

As razões para a Independência dos Estados Unidos da América.

Muitos acreditam que a história da Independência americana começou muito tempo antes de 1775 quando ocorreram os primeiros tiros. A distensão entre a Inglaterra e América começou muito antes, mais exatamente, um século e meio após a fundação da primeira povoação permanente em Jamestown, Virgínia.

As colônias tinham crescido imensamente em força econômica e desenvolvimento cultural, tudo devido aos longos períodos de governos autônomos. Em 1760 a população já era de 1,5 milhões, tendo crescido 6 vezes, desde 1700.

Figura do rei George III
Após as guerras com a França que culminaram no predomínio sobre as colônias da América e da Índia, a Inglaterra precisava de uma nova política e acreditava que a situação na América estava necessitando de mudanças. 

Acostumadas a uma grande independência as colônias americanas estavam exigindo mais liberdade, principalmente agora que a ameaça francesa havia sido eliminada.  Para por em prática as novas idéias, o parlamento britânico teve que combater os colonialistas acostumados com a liberdade que os ingleses davam até aquele momento.

Umas das primeiras coisas que os britânicos tentaram foi a organização do interior. A conquista do Canadá e do Vale de Ohio exigiam uma política que não alienasse os habitantes franceses e índios das regiões. Mas assim a Coroa entrava em conflito com os interesses das colônias. A falta de alimentos ocasionada pelo aumento da população criava a necessidade de mais terras e, precisando de mais terra as colônias reivindicaram o direito para estender os limites para o oeste distante como o Rio de Mississipi.

O governo britânico, temendo que os colonos que migravam para as novas terras provocassem uma série de guerras com os índios, acreditou que as terras deveriam ser abertas aos colonos em uma base mais gradual. Ao restringir o movimento migratório também estava assegurando controle real sobre as reivindicações dos colonos. Uma Proclamação Real de 1763 reservou todo o território ocidental entre a Flórida, o Rio Mississipi e Quebec para os índios americanos nativos. Assim a Coroa tentou impedir a expansão das 13 colônias para o oeste. Embora esta medida não fosse tão impositiva, pareceu aos colonos uma arbitrariedade que os impedia de se expandir para o ocidente.

Mais importante foi a política financeira do governo britânico que necessitava de mais dinheiro para apoiar sua política de expansão do império. A menos que o contribuinte na Inglaterra fosse prover todo o dinheiro para a defesa das colônias, a renda teria que dos próprios colonos.

O primeiro passo da nova política inglesa foi o "Ato do Melado" em 1773 que taxava o rum e o melado vindo de regiões que não fossem de colônias inglesas. Depois, o "Ato do Açúcar", em 1764, proibia a importação de rum estrangeiro e taxava a importação de melado de todas as fontes (inclusive inglesas) e proibia a importação de vinhos, seda, café e vários outros artigos de luxo. Esperava-se que diminuindo a alíquota de taxação do melado, estaria reduzido a tentação de haver contrabandeando de melado das Índias Ocidentais holandesas e francesas para o fabrico de rum na Nova Inglaterra. Foi ordenado que os funcionários das alfândegas mostrassem mais energia e efetivamente obrigassem o cumprimento do Ato do açúcar. Navios de guerra foram instruídos para prender os contrabandistas e outros decretos autorizavam os oficiais do rei a procurar por suspeitos. Esses fatos (o Ato e o decreto), causaram grande consternação entre os comerciantes da Nova Inglaterra.

Os advogados coloniais encontraram no preâmbulo do Ato do açúcar o slogan que viria a amealhar incontáveis adeptos à sua causa revolucionária contra o país mãe - “taxação sem representação".

Depois em 1764, o Parlamento ordenou um "Ato de Moeda”, pelo qual se proibia a emissão de qualquer papel de crédito futuro em nome das colônias. Considerando que as colônias eram uma área de comércio deficitária e constantemente estavam com falta de moeda corrente, esta medida somou um fardo sério para a economia colonial. Igualmente censurável do ponto de vista colonial era o "Ato de Aquartelamento", que, em 1765 exigia que as colônias proporcionassem para as tropas reais os quartéis e sua manutenção;

Ato do Selo
A última das medidas que inauguravam o novo tratamento dado às colônias foi o chamado "Ato de Selo", que obrigava a todos os jornais, periódico, revistas e todo documento legal a portar um selo de renda.que teria a finalidade de defender, proteger e afiançar as colônias. O Ato de Selo afetavam a todas as pessoas que faziam qualquer negócio. Dessa forma, despertou a hostilidade dos grupos mais poderosos e articulados da população americana ¾ jornalistas, advogados, clérigos, comerciantes e todo homem de negócio.de Norte, Sul, Leste ou Oeste. Os comerciantes logo organizaram resistência, formando associações de não importadores.

O comércio com o país mãe caiu sensivelmente e no verão de 1765 os homens proeminentes organizaram uma associação denominada “Filhos de Liberdade”

* A organização secreta pretendia protestar contra o Ato do Selo, freqüentemente por meios violentos.

* De Massachusetts até a Carolina do Norte, a população forçaram os agentes alfandegários para deixar os escritórios e destruíram os odiados selos.

A Casa da Virgínia de Borges através do delegado Patrick Henry, adotou, em maio,  um conjunto de resoluções que denunciava a taxação sem representação como uma ameaça para a liberdade colonial.

A Casa de Burgessos declarou que os virginianos repudiavam os direitos dos ingleses, e conseqüentemente só admitiam taxas se fossem impostas por seus próprios representantes. A 8 de junho, a Assembléia de Massachusetts convidou todas as colônias a designar delegados para o Congresso do "Ato de Selo" realizado em Nova Iorque, em outubro de  1765 Vinte e sete representantes de nove colônias mobilizados pela opinião pública colonial formaram uma assembléia para discutir a interferência do Parlamento britânico nos negócios coloniais.

Numa convenção em 23 de março de 1775, em Richmond, Patrick Henry pronunciou a célebre frase: "Dê-me a liberdade ou dê-me a morte”.

Depois de muito debate, o congresso adotou uma série de resoluções que afirmam que “nenhum imposto alguma vez foi ou poderia ser imposto constitucionalmente a não ser pelas suas respectivas legislaturas e que o Ato de Selo se constituía em manifesto para subverter os direitos e liberdades dos colonos”.

Taxação sem Representação
Do ponto de vista das colônias, elas só poderiam ser consideradas representadas, no Parlamento, se elas próprias elegessem seus membros para a Câmara dos Comuns. Mas, essa idéia entrava em conflito com o princípio inglês da “representação virtual” segundo o qual cada membro do Parlamento representava os interesses do país inteiro e até mesmo do Império, embora sua base eleitoral se constituísse numa minúscula minoria de donos de propriedades de um determinado distrito. O resto da comunidade era visto como representado. O Parlamento insistia que o rei da Inglaterra era rei das colônias, mas, o Parlamento inglês tinha direito de votar leis para as colônias, mas as colônias não tinham o direito de votar leis para a Inglaterra.

O Parlamento britânico não estava disposto a aceitar as exigências coloniais. Porém, comerciantes britânicos que sentiam os efeitos do boicote americano, movimentaram-se para que o ato fosse revogado, e em 1766 o Parlamento se rendeu e, revoga o Ato de Selo e modifica o Ato de Açúcar.


O Ato Townshend
O ano 1767 trouxe outra série de medidas que reavivaram novamente, os elementos de discórdia.  Charles Townshend, ministro da economia foi chamado para traçar um novo programa fiscal, com a intenção re reduzir os impostos britânicos através de uma fiscalização mais eficiente. Para isso, ele apertou a administração da e impôs impostos sobre a importação de papel, vidro e principalmente o chá. Os denominados  Atos de Townshend estavam baseado na premissa que impostos impostos sobre bens importados  pelas colônias era legal enquanto impostos internos (como o Ato de Selo) não era.

Os Atos de Townshend tinham por objetivo elevar as  rendas das colônias para auxiliar nas despesas com os juizes, oficiais de alfândegas e parte do exército britânico na América. Em resposta, a Filadélfia pelo advogado John Dickinson, em "Cartas de um fazendeiro da Pensilvânia", discutiu que o Parlamento teria o direito para controlar o comércio imperial, mas não teria o direito de taxar as colônias. 

O Ato de Townshend provocou menos revolta que o Ato do Selo, porém, nas cidades do litoral Oriental, os comerciantes recorreram uma vez mais a boicotes de importações e os consumidores substituíam os produtos importados por produtos locais, como os tecidos e o próprio chá; usavam produtos caseiros e deixavam as casas sem pintura Em Boston, os protestos foram maiores e houve necessidade da presença de tropas britânicas para impedir ataques à alfândega.

A presença de tropas britânicas em Boston era um convite para as arruaças. Em 5 de março de 1770, houve uma simples altercação entre os soldados e os moradores, porém, alguém deu uma ordem para incendiar e, quando a fumaça se dissipou, três bostonianos haviam sido mortos. O incidente foi chamado de "O Massacre de Boston" e foi pintado de forma dramática como prova da arbitrariedade e tirania britânicas.

Enfrentando tal oposição, o Parlamento em 1770 optou por uma retirada estratégica e revogou todos as obrigações definidas pelo Ato de Townshend a não ser com relação ao chá que era um artigo de luxo nas colônias só consumido por uma minoria muito pequena. A maioria da população aceitou as decisões do Parlamento, pois considerava-se que os colonos tinham ganho a concessão principal, e a campanha contra a Inglaterra perdeu sua força. Quanto ao chá, continuou o boicote, mas que, também, não era escrupulosamente observado. A prosperidade aumentava e a maioria dos líderes coloniais estava disposto deixar o futuro aos cuidados de si mesmo.


Samuel Adams
Durante um intervalo de três anos de calmaria, um número relativamente pequeno de radicais se esforçou energicamente para manter a controvérsia viva. Eles combatiam o pagamento de qualquer imposto advindo do Parlamento que atuasse apenas sobre as colônias, pois temiam que a qualquer hora a regra parlamentaria poderia ser aplicada com efeito devastador em todas as liberdades coloniais.

Dos radicais o principal líder Samuel Adams de Massachusetts que trabalhou incansavelmente para um único fim? A Independência. Desde sua formatura em 1740, em Harvard, Adams era um funcionário público de pouca influência, um inspetor de chaminés, um coletor de imposto e moderador de reuniões de cidade. Um fracassado nos negócios, era, entretanto, astuto e capaz em política, tendo a Nova Inglaterra como seu teatro de ação. Escrevia artigos em jornais e fazia reuniões de cidadãos para expor seu ponto de vista.

Em 1772 ele induziu a cidade de Boston, onde se encontrava para lecionar em um curso, a declarar os direitos e queixas dos colonos. O comitê se opôs a uma decisão britânica pela qual teriam que pagar os salários dos inspetores de rendas e de alfândega; temia que os inspetores já não estivessem a favor da legislatura local mas sim ao governo real. O comitê entrou em contato com outras cidades e lhes pediu que analisassem a questão. Embora as demais cidades concordassem com os termos de Adams, ainda não ofereciam um apoio mais efetivo.


A Festa do Chá – Boston
Em 1773, porém, a Inglaterra forneceu a Adams e seus aliados um assunto de incendiário. A poderosa Companhia das Índias Orientais se achava com problemas financeiros críticos e convenceu ao governo britânico que lhes concedeu o monopólio de todo o chá exportado às colônias. O governo também permitiu que a Companhia das Índias Orientais fornecessem diretamente aos varejistas, evitando os atacadistas coloniais que tinham feito vendas antecipadas.

Depois de 1770, existiu um comércio ilegal florescente. A maioria do chá consumido na América era de origem estrangeira e importado ilegalmente; vendendo seu chá por seus próprios agentes a um preço debaixo do habitual, a Companhia das Índias Orientais tornou o contrabandeando improdutivo, ao mesmo tempo em que ameaçava eliminar os comerciantes coloniais independentes. Não só pela perda do comércio, mas também pela prática do monopólio, os comerciantes coloniais se uniram aos radicais que desejavam a independência.

Os agentes da Companhia das Índias Orientais foram forçados a abandonar os postos e as novas remessas de chá da Inglaterra foram devolvidas. Em Boston, porém, os agentes desafiaram os colonos e, com o apoio do governador real, foram feitas gestões para a descarga das remessas.

Na noite de 16 de dezembro de 1773, alguns colonos disfarçados de índios Mohawk e conduzidos por Samuel Adams subiu a bordo de três navios britânicos ancorados no porto de Boston e esvaziou a carga de chá no mar. Eles fizeram isso porque temiam que se o chá fosse descarregado, os colonos obedeceriam ao imposto e comprariam o chá. Adams e seu grupo de radicais duvidaram do compromisso de seus compatriotas.

Uma crise confrontava a Inglaterra. A Companhia das Índias Orientais tinha obedecido a um estatuto do Parlamento, e se a destruição do chá ficasse impune, o Parlamento estaria admitindo para o mundo que não tinha nenhum controle sobre as colônias. A opinião oficial da Inglaterra condenou a cado do chá de Boston quase por unanimidade como um ato de vandalismo e defendeu medidas legais para aplicar aos colonos insurgentes.


Os Atos Coercitivos
O Parlamento respondeu com novas leis que os colonos chamaram de "Atos Coercitivos ou Intoleráveis”.O primeiro: o Porto de Boston foi fechado. Boston ficava sem acesso ao mar, significando um total desastre econômico. Em outras cidades as autoridades locais foram restringidas e foram proibidas a maioria das reuniões locais sem o consentimento do governador. Um Ato de Aquartelamento exigiu que, as autoridades locais e as tropas britânicas poderiam se alojar em propriedades privadas sempre que julgassem necessários. Em vez de subjugar e isolar Massachusetts como o Parlamento pretendeu, estes atos só fizeram atrair para a co-irmã, ajuda generalizada.

O Ato de Quebec, passado quase no mesmo momento, estendeu os limites da província de Quebec e garantiu o direito dos habitantes franceses para desfrutar liberdade religiosa e suas próprias alfândegas. Os colonos se opuseram a este ato porque, desconsiderava velhas reivindicações para expansão ao ocidente, ameaçando tornar católica as regiões do Norte e Nordeste. Embora o Ato de Quebec não tivesse sido imposto como uma medida punitiva, foi considerados pelos americanos um conjunto com os Atos Coercitivos, e tudo ficou conhecido como os Cinco Atos Intoleráveis.

Por sugestão da Casa de Virgínia de Burgesses, representantes coloniais se encontraram na Filadélfia 5 de setembro de 1774, estando presentes representantes de todas as colônias, a assembléia ficou conhecida como o Primeiro Congresso Continental. Toda colônia menos a Geórgia enviou pelo menos um delegado, e o número total de 55 era grande o bastante para uma diversidade de opiniões, mas pequeno bastante para debates genuíno sobre ações efetivas. A divisão de opinião nas colônias constitui-se num grande dilema.

Eles teriam que contar com unanimidade para poderem induzir o governo britânico a fazer concessões e, ao mesmo tempo, eles teriam que evitar qualquer espetáculo de radicalismo ou espírito de independência que alarmaria os americanos mais moderados. A uma conclusão cautelosa, seguiu-se uma "resolução" pela qual nenhuma obediência era devida os Atos Coercitivos, os colonos teriam o direito para "vida, liberdade e propriedade", e as legislaturas provincianas teriam o direito para fixar "todos os casos de taxação e política interna".

A mais importante função do Congresso foi a formação da "Associação Continental" que promoveu a renovação do boicote comercial e possuía um sistema de comitês locais que inspecionavam as entradas de produtos e publicavam os nomes dos comerciantes que violavam os acordos; confiscavam suas importações e encorajavam a economia e indústria.

A Associação imediatamente assumiu a liderança nas colônias e incentivava as organizações locais para contrariar o que permanecia da autoridade real. Conduzido pelos líderes favoráveis à independência, eles não só procuravam o apoio dos menos prósperos, mas muitos de seus membros eram de classe profissional mais elevada, especialmente advogados, a maioria dos plantadores das colônias Do Sul e vários comerciantes. Eles começaram a organizar um exército e inflamavam a população nos ideais revolucionários.

Muitos americanos, no entanto, se opunham a essa luta, preferindo a obediência ao Parlamento britânico. Entre eles, os oficiais nomeados pela coroa, muitos Quakers e membros de outras seitas religiosas que se opunham ao uso de violência, muitos comerciantes--especialmente das colônias medianas--e alguns fazendeiros descontentes.

O rei bem poderia ter efetuado uma aliança com estes inúmeros moderados e, através de concessões oportunas, poderia ter fortalecido sua posição contrapondo-se aos revolucionários. Mas George III não tinha nenhuma intenção de abrir concessões aos colonos e, em setembro de 1774, desprezando petição dos Quakers de Filadélfia escreveu: “Os dados foram lançados, ou as colônias se submetem ou triunfam”.Essa ação isolou os Legalistas que se assustaram com o curso dos eventos que se seguiram aos Atos Coercitivos.

O General Thomas Gage, cavalheiro inglês casado com uma nativa americana comandava a guarnição de Boston onde a atividade política estava substituindo as atividades comerciais. Seu dever principal era o de cuidar que os colonos obedecessem aos Atos Coercitivos. Recebeu notícias que os colonos de Massachusetts estavam armazenando pólvora e outros equipamentos bélicos na cidade de Concord. Localizada a 32 km, despachou uma guarnição que deveria confiscar esse material.

Depois de marchar uma noite, as tropas britânicas alcançaram a aldeia de Lexington em 19 de abril de 1775 quando se depararam com um grupo de 70 homens. Os colonos só pretendiam protestar silenciosamente, mas o Major John Pitcairn, líder das tropas britânicas, gritou, "Dispersem-se rebeldes danados, cachorros pulguentos" O líder dos colonos, Capitão John Parker, ordenou as tropas que não atirassem a menos que os ingleses começassem primeiro. Os americanos estavam se retirando quando alguém deu o primeiro tiro; as tropas britânicas atiraram e atacaram com baionetas, deixando 8 mortos e 10 feridos.

Os britânicos invadiram Concord e lá destruíram todo o material militar que encontraram. Os americanos rebeldes fugiram para a zona rural e se organizaram e, quando as tropas regulares voltavam para Boston, os colonos atacaram-nas, produzindo 250 baixas. Entre os americanos, as baixas foram de 93.

Enquanto os alarmes de Lexington e Concord ainda ressoavam, o Segundo Congresso Continental se reunia em Filadélfia, Pennsylvania. Em 15 de maio de 1775, o Congresso votou pela guerra e investiu o Coronel George Washington como comandante supremo das forças americanas designando a Virgínia como Quartel General.

Apesar da eclosão dos conflitos armados, a idéia de separação completa da Inglaterra era ainda repugnante a alguns membros do Congresso Continental. Em julho, John Dickinson encaminhou petição na qual implorava ao rei que evitasse ações hostis e que algum tipo de acordo poderia ser estudado.  A petição caiu em ouvidos moucos e o Rei George III emitiu uma proclamação a 23 de agosto de 1775, declarando que as colônias estavam em estado de rebelião.

Inglaterra tinha esperado que as colônias do Sul permanecessem leais, em parte por causa da confiança na escravidão. Muitas nas colônias do Sul temiam que uma rebelião contra o país mãe também ativaria uma insurreição de escravo contra os plantadores. Em novembro de 1775, de fato, Lord Dunmore, o governador de Virgínia, ofereceu liberdade para todos os escravos para que lutassem ao lado ds britânicos. Porém, a proclamação de Dunmore teve o efeito contrário do esperado e muitos virginianos que teriam permanecido legalista, passaram ao lado contrário.

O governador de Carolina do Norte, Josiah Martin, também conclamou os colonos para permanecer leal à Coroa. Quando 1.500 homens responderam a chamada de Martin, foram derrotados pelos exércitos revolucionários antes das tropas britânicas chegarem em seu auxílio. Navios de guerra britânicos patrulhavam a costa de Charleston, Carolina do Sul, e abriram fogo contra a cidade em junho de 1776. Mas os sul-carolinianos tiveram tempo para se preparar e expulsaram os britânicos no final do mês. Não voltaram ao sul por mais de 2 anos.


Senso Comum e Independência
Em janeiro de 1776, Thomas Paine, teorista político e escritor que tinha vindo para a América em 1774, publicou um folheto com 50 páginas e, em três meses tinha vendido 100,000 cópias do folheto. Paine atacava a idéia da monarquia hereditária e declarava que o homem honrado era mais útil à sociedade que "todos os rufiões coroados do mundo”.

Apresentava as alternativas - continuidade e submissão a um rei tirânico e a um governo desgastado, ou liberdade e felicidade em uma república auto-suficiente e independente. Circulando em todas as colônias, o Bom Senso ajudou a cristalizar o desejo para a separação. 

Restava ainda a tarefa de ganhar a aprovação de todas as colônias para uma declaração formal. Em 10 de maio de 1776 - um ano após o Segundo Congresso Continental -uma resolução que a separação fosse afinal adotada. Em 7 de junho, Richard Henry Lee da Virgínia redigiu uma resolução que declarava: "Que estas Colônias Unidas são, e de direito devem ser, estados livres e independentes..." Imediatamente, um comitê de cinco membros, presididos por Thomas Jefferson de Virgínia, foi designado para preparar uma declaração formal.

Em grande parte do trabalho da Declaração da Independência, adotada em 4 de julho, Jefferson, não só anunciava o nascimento de uma nova nação, mas também declarava uma filosofia de liberdade humana que se tornaria uma força dinâmica ao longo do mundo inteiro e dos tempos. A Declaração utiliza a filosofia política francesas e inglesa, mas uma influencia em particular se salienta: O Tratado de John Locke em Segundo Governo. Locke criou as concepções dos direitos tradicionais dos ingleses, universalizados nos direitos naturais de toda pessoa humana. A passagem de abertura familiar da Declaração ecoa a teoria de social de Locke:

"Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens foram criados iguais, foram dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade. Que a fim de assegurar esses direitos, governos são instituídos entre os homens, derivando seus justos poderes do consentimento dos governados; que, sempre que qualquer forma de governo se torne destrutiva de tais fins, cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la e instituir novo governo, baseando-o em tais princípios e organizando-lhe os poderes pela forma que lhe pareça mais conveniente para realizar-lhe a segurança e a felicidade”.

Na Declaração, Jefferson uniu os princípios de Locke com a situação nas colônias. Lutar para independência americana era lutar para um governo baseado em consentimento popular em lugar de um governo de um rei que tinha se aliado com outros para sujeitar o país a uma jurisdição estrangeira... Só uns governos baseados em consentimento populares poderiam afiançar direitos naturais para a vida, a liberdade e a busca da felicidade. Assim, lutar para independência americana era lutar em nome da própria propriedade natural da pessoa.

Mesmo depois da declaração da independência os americanos sofreram sérias derrotas. Em agosto de 1776, na Batalha de Long Island em Nova Iorque, a posição de Washington ficou insustentável, e ele executou uma retirada magistral em barcos pequenos desde o Brooklyn até orla de Manhattam. William Howe general britânico vacilou duas vezes e permitiu que os americanos escapassem. Porém, em novembro, Howe capturou Forte Washington na Ilha de Manhattam. A cidade de Nova Iorque permaneceria sob controle britânico até o fim da guerra.

Em dezembro, as forças de Washington estavam se aproximando do colapso, pela falta de víveres e material bélico Mas Howe novamente perdeu a chance de esmagar os americanos decidindo esperar até primavera para retomar a luta. Enquanto isso, Washington cruzou o Rio Delaware, ao norte de Trenton, Nova Jersey. A 26 de dezembro, de madrugada, suas tropas surpreenderam a guarnição em Trenton e fizeram mais de 900 prisioneiros.

Uma semana depois, em 3 de janeiro de 1777, Washington atacou os britânicos em Princeton, recuperando a maioria do território formalmente ocupado pelo britânico. As vitórias em Trenton e Princeton reacenderam o espírito americano.

Em 1777 Howe derrotou o exército americano em Brandywine na Pennsylvania e ocupou a Filadélfia, forçando o Congresso Continental a fugir. Washington teve que suportar o inverno amargamente frio de 1777-1778 na Nova Inglaterra, Pennsylvania, sofrendo a falta de comida, roupa e materiais.

Os insurretos sofriam menos pela escassez do que pelo fato de que os fazendeiros e comerciantes preferiram trocar seus bens por ouro britânico e prata em lugar de para papel-moeda emitido pelo Congresso Continental.

Valley Forge era o último reduto para o exército continental de Washington, mas, 1777 provou ser o ponto decisivo da guerra. Em 1776, o general britânico John Burgoyne estabeleceu um plano para invadir Nova Iorque e a Nova Inglaterra pelo Lago Champlain e o Rio Hudson, porém ele tinha muito equipamento pesado e o terreno era arborizado e pantanoso.

Em Oriskany, Nova Iorque, um grupo de legalista e índios sob o comando de Burgoyne encontrou e derrotou forças americanas. Em Bennington, Vermont, forças de Burgoyne, procurando materiais necessários novamente encontrou tropas americanas. A batalha resultou em grande atraso para o exército de Burgoyne ensejando a Washington o envio de reforços pelo Rio Hudson perto de Albany, Nova Iorque.

Quando Burgoyne retomou  o avanço, os americanos estavam preparados e à sua espera. Conduzidos por Benedict Arnold os americanos repeliram por duas vezes os britânicos. Burgoyne se retirou para Saratoga, Nova Iorque onde forças americanas sob o comando do general Horatio Gates cercaram as tropas britânicas. A 17 de outubro de 1777, Burgoyne se rendeu com todo seu exército, havia perdido 6 generais, 300 oficiais e 5.500 soldados.

Figura - Estados Unidos - O Marquês de Lafayette conferencia com Washington em Valley Forge no inverno de 1777-78. Gravura de Alonzo Chappel.


Aliança Franco-Americana
Na França, o entusiasmo com a causa americana era grande: o mundo intelectual francês era revoltado contra o feudalismo e os privilégios. Porém, a Coroa emprestava seu apoio às colônias mais no aspecto geopolítico e menos por razões ideológicas: o governo francês tinha estado a favor dos colonos como forma de represália contra a derrota da França em 1763. Para representar a causa americana, Benjamim Franklin foi enviado à Paris em 1776. Graças a sua malícia e intelecto sua presença foi logo notada e representou um grande avanço para a causa americana.

A França começou a fornecer ajuda às colônias em maio de 1776 de maio, quando enviou 14 navios com materiais de guerra para a América. De fato, a maioria da pólvora e as armas utilizadas pelos exércitos americanos veio da França. Depois da derrota da Inglaterra em Saratoga, a França viu uma oportunidade para debilitar seu antigo inimigo e restabelecer o equilíbrio de forças que tinha sido quebrado pela guerra dos Sete Anos (a Guerra da França contra a Inglaterra visando as terras da Índia). Em 6 de fevereiro de 1778, a América e a França assinaram um Tratado de Amizade e Comércio nas quais a França reconheceu a Independência da América e ofereceu concessões comerciais. Também assinaram uma aliança que estipulava que se a França entrasse em guerra, nunca atingiria a América e, nem concluiria a paz com a Inglaterra sem a concordância mutua. Esse foi o único tratado bilateral de defesa assinados pelos Estados Unidos até 1949.

A aliança Franco-americana acendeu o conflito. Em junho de 1778 navios britânicos incendiaram navios franceses, e os dois países iniciaram nova guerra. Em 1779 a Espanha, esperando recuperar territórios ocupado pela Inglaterra na Guerra dos Sete Anos, entrou no conflito no lado de França, mas não como um aliado dos americanos. Em 1780 a Inglaterra declarou guerra a Holanda que tinha continuado comerciando com os americanos. A combinação destes poderes europeus, era uma ameaça maior para a Inglaterra do que as colônias americanas.


Os Britânicos se movem para o Sul
Com A França envolvida no conflito, a Inglaterra aumentou seus esforços para manter as colônias do Sul, onde os Legalistas eram maioria.

A campanha se iniciou no começo de 1778, com a captura de Savannah, na Geórgia. Depois as tropas britânicas tomaram Charleston, na Carolina do Sul, o principal porto do sul. As forças navais e anfíbias foram trazidas da Inglaterra e em 12 de maio o General Benjamim Lincoln se rendeu com seus 5.000 soldados. Foi a maior derrota colonialista da guerra.

Mas as derrotas só incentivaram os americanos a se rebelarem e logo os sul-carolinianos de zona rural começaram a atacar as linhas de provisões do exército britânico Em julho, o general americano Horatio Gates que tinha reunido uma força de milicianos não treinados, chegou a Camden, na Carolina do Sul, para enfrentar as forças britânicas comandadas pelo general Charles Cornwallis. Mas os soldados não treinados do exército de Gates não conseguiram vencer o exército regular de Cornwallis. As tropas de Cornwallis enfrentaram as americanas mais algumas vezes, mas a batalha mais significativa aconteceu em Cowpens, Carolina do Sul, no início de 1781, onde os americanos conseguiram derrotar os britânicos. Depois de muitas perseguições improdutivas, Cornwallis decidiu se fixar na Virgínia.


Vitória e Independência
Em julho de 1780, o rei Luís XVI da França enviou à América uma força expedicionária de 6,000 homens sob o comando do Comandante  Jean de Rochambeau. Além disso, a frota francesa hostilizava os navios britânicos de abastecimento e reforços Exércitos franceses e americanos e a  marinha juntos contavam com 18.000 homens que hostilizavam a Cornwallis. Finalmente, a 19 de outubro de 1781, depois que foi apanhado em Yorktown perto da Baía de Chesapeake, Cornwallis se rendeu com um exército de 8,000 soldados britânicos.

Embora a derrota de Cornwallis não tivesse encerrado com a guerra que ainda se arrastaria por mais 2 anos, o governo britânico decidiu negociar a paz. No início de 1782, com o lado americano representado por Benjamim Franklin, John Adams e John Jay. Em 15 de abril de 1783 o Congresso aprovou o tratado final e a 3 de setembro o tratado foi finalmente assinado.

Conhecido como o Tratado de Paris  a declaração de paz reconhecia a independência, liberdade e soberania das 13 colônias, tendo a Inglaterra lhes concedido o território limitado a oeste do rio Mississipe, ao norte pelo Canadá e ao sul, a Flórida, que pertencia à Espanha. As colônias das quais Richard Henry Lee havia falado há mais de sete anos, tinham finalmente se tornado "estados livres e independentes", A tarefa de formar uma nação ainda permanecia.

Os Americanos consideram a Guerra para Independência como uma Revolução, mas em termos mais importantes era também uma guerra civil. Muitos dos legalistas americanos, ou "Tory" como eram chamados, levantaram armas contra os rebeldes. Estima-se que 20% da população ou 500.000 membros da população branca das colônias eram Legalistas.

O que motivou os Legalistas? A maioria dos americanos educados, legalista ou revolucionário aceitava a teoria de John Locke de propriedade natural e de governo limitado. Assim, tanto para uns como para outros as ações britânicas como o Ato de Selo e os Atos Coercitivos não poderiam ser admitidas. Os Legalistas queriam formas brandas de protesto porque acreditavam que a violência geraria outras formas de tirania. Além disso, os Legalistas acreditavam que a independência significaria a perda de benefícios econômicos derivados da sociedade no sistema mercantil britânico.

Os legalistas vinham de todas as camadas da população; a maioria de pequenos fazendeiros, artesãos e lojistas; a maioria dos funcionários britânicos permaneceu leal à Coroa. Comerciantes ricos tendiam a permanecer leais bem como os ministros anglicanos especialmente na Nova Inglaterra Puritana. Com os legalistas também se incluíram alguns negros (para quem os britânicos prometiam a liberdade), os índios, os empregados contratados e alguns imigrantes alemães que apoiaram a Coroa principalmente porque George III era de origem alemã.

O número de Legalista em cada colônia variava. Recentes estimativas sugerem que metade da população de Nova Iorque era legalista; tinham uma cultura aristocrática e ficaram favoráveis ap lado britânico. Nos Carolinas, fazendeiros eram Legalista, enquanto que os plantadores de algodão tendiam a apoiar a Revolução. Durante a Revolução, a maioria dos Legalistas nada sofreu. Porém, uma minoria, aproximadamente 19,000 Legalistas armados lutou ao lado dos britânicos.

No Tratado de Paz de Paris, o Congresso exigiu que se restabelecesse as propriedades confiscada dos Legalistas. Os herdeiros de William Penn em Pennsylvania, por exemplo, e os de George Calvert em Maryland receberam indenizações generosas. Nas Carolinas onde a inimizade entre os rebeldes e Legalista era especialmente forte, poucos recuperaram suas propriedade. Em Nova Iorque e nas Carolinas, as terras confiscadas dos Legalistas foram utilizadas numa revolução social com o parcelamento e entrega a pequenos fazendeiros.

Aproximadamente 100.000 Legalista deixaram o país, inclusive William Franklin, o filho de Benjamim, e John Singleton Copley, o maior pintor americano do período. A maioria mudou-se para o Canadá. Nas décadas posteriores os americanos preferiram se esquecer das existências dos Legalistas.


A Declaração de Independência dos Estados Unidos da América

Quando, no curso dos acontecimentos humanos, se torna necessário um povo dissolver laços políticos que o ligavam a outro, e assumir, entre os poderes da Terra, posição igual e separada, a que lhe dão direito as leis da natureza e as do Deus da natureza, o respeito digno às opiniões dos homens exige que se declarem as causas que os levam a essa separação.

Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens foram criados iguais, foram dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade. Que a fim de assegurar esses direitos, governos são instituídos entre os homens, derivando seus justos poderes do consentimento dos governados; que, sempre que qualquer forma de governo se torne destrutiva de tais fins, cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la e instituir novo governo, baseando-o em tais princípios e organizando-lhe os poderes pela forma que lhe pareça mais conveniente para realizar-lhe a segurança e a felicidade. Na realidade, a prudência recomenda que não se mudem os governos instituídos há muito tempo por motivos leves e passageiros; e, assim sendo, toda experiência tem mostrado que os homens estão mais dispostos a sofrer, enquanto os males são suportáveis, do que a se desagravar, abolindo as formas a que se acostumaram. Mas quando uma longa série de abusos e usurpações, perseguindo invariavelmente o mesmo objeto, indica o desígnio de reduzi-los ao despotismo absoluto, assistem-lhes o direito, bem como o dever, de abolir tais governos e instituir novos-Guardas para sua futura segurança. Tal tem sido o sofrimento paciente destas colônias e tal agora a necessidade que as força a alterar os sistemas anteriores de governo.

A história do atual Rei da Grã-Bretanha compõe-se de repetidos danos e usurpações, tendo todos por objetivo direto o estabelecimento da tirania absoluta sobre estes Estados. Para prová-lo, permitam-nos submeter os fatos a um cândido mundo.

Recusou assentimento a leis das mais salutares e necessárias ao bem público.

Proibiu aos governadores a promulgação de leis de importância imediata e urgente, a menos que a aplicação fosse suspensa até que se obtivesse o seu assentimento, e, uma vez suspensas, deixou inteiramente de dispensar-lhes atenção.

Recusou promulgar outras leis para o bem-estar de grandes distritos de povo, a menos que abandonassem o direito de representação no legislativo, direito inestimável para eles e temível apenas para os tiranos.

Convocou os corpos legislativos a lugares não usuais, sem conforto e distantes dos locais em que se encontram os arquivos públicos, com o único fito de arrancar-lhes, pela fadiga, o assentimento às medidas que lhe conviessem.

Dissolveu Casas de Representantes repetidamente porque se opunham com máscula firmeza às invasões dos direitos do povo.

Recusou por muito tempo, depois de tais dissoluções, fazer com que outros fossem eleitos; em virtude do que os poderes legislativos incapazes de aniquilação voltaram ao povo em geral para que os exercesse; ficando nesse ínterim o Estado exposto a todos os perigos de invasão externa ou convulsão interna.

Procurou impedir o povoamento destes estados, obstruindo para esse fim as leis de naturalização de estrangeiros, recusando promulgar outras que animassem as migrações para cá e complicando as condições para novas apropriações de terras.

Dificultou a administração da justiça pela recusa de assentimento a leis que estabeleciam poderes judiciários.

Tornou os juízes dependentes apenas da vontade dele para gozo do cargo e valor e pagamento dos respectivos salários.

Criou uma multidão de novos cargos e para eles enviou enxames de funcionários para perseguir o povo e devorar-nos a substância.

Manteve entre nós, em tempo de paz, exércitos permanentes sem o consentimento de nossos corpos legislativos.

Tentou tornar o militar independente do poder civil e a ele superior.

Combinou com outros sujeitar-nos a jurisdição estranha à nossa Constituição e não reconhecida por nossas leis, dando assentimento a seus atos de pretensa legislação:

por aquartelar grandes corpos de tropas entre nós;

por protegê-las por meio de julgamentos simulados, de punição por assassinatos que viessem a cometer contra os habitantes destes estados;

por fazer cessar nosso comércio com todas as partes do mundo;

pelo lançamento de taxas sem nosso consentimento;

por privar-nos, em muitos casos, dos benefícios do julgamento pelo júri;

por transportar-nos para além-mar para julgamento por pretensas ofensas;

por abolir o sistema livre de leis inglesas em província vizinha, aí estabelecendo governo arbitrário e ampliando-lhe os limites, de sorte a torná-lo, de imediato, exemplo e instrumento apropriado para a introdução do mesmo domínio absoluto nestas colônias;

por tirar-nos nossas cartas, abolindo nossas leis mais valiosas e alterando fundamentalmente a forma de nosso governo;

por suspender nossos corpos legislativos, declarando-se investido do poder de legislar para nós em todos e quaisquer casos.

Abdicou do governo aqui por declarar-nos fora de sua proteção e movendo guerra contra nós.

Saqueou nossos mares, devastou nossas costas, incendiou nossas cidades e destruiu a vida de nosso povo.

Está, agora mesmo, transportando grandes exércitos de mercenários estrangeiros para completar a obra da morte, desolação e tirania, já iniciada em circunstâncias de crueldade e perfídia raramente igualadas nas idades mais bárbaras e totalmente indignas do chefe de uma nação civilizada.

Obrigou nossos concidadãos aprisionados em alto-mar a tomarem armas contra a própria pátria, para que se tornassem algozes dos amigos e irmãos ou para que caíssem em suas mãos.

Provocou insurreições internas entre nós e procurou trazer contra os habitantes das fronteiras os índios selvagens e impiedosos, cuja regra sabida de guerra é a destruição sem distinção de idade, sexo e condições.

Em cada fase dessas opressões solicitamos reparação nos termos mais humildes; responderam a nossas petições apenas com repetido agravo. Um príncipe cujo caráter se assinala deste modo por todos os atos capazes de definir um tirano não está em condições de governar um povo livre.

Tampouco deixamos de chamar a atenção de nossos irmãos britânicos. De tempos em tempos, os advertimos sobre as tentativas do Legislativo deles de estender sobre nós jurisdição insustentável. Lembramos a eles das circunstâncias de nossa migração e estabelecimento aqui. Apelamos para a justiça natural e para a magnanimidade, e os conjuramos, pelos laços de nosso parentesco comum, a repudiarem essas usurpações que interromperiam, inevitavelmente, nossas ligações e nossa correspondência. Permaneceram também surdos à voz da justiça e da consangüinidade. Temos, portanto de aquiescer na necessidade de denunciar nossa separação e considerá-los, como consideramos o restante dos homens, inimigos na guerra e amigos na paz.

Nós, por conseguinte, representantes dos Estados Unidos da América, reunidos em Congresso Geral, apelando para o Juiz Supremo do mundo pela retidão de nossas intenções, em nome e por autoridade do bom povo destas colônias, publicamos e declaramos solenemente: que estas colônias unidas são e de direito tem de ser Estados livres e independentes; que estão desoneradas de qualquer vassalagem para com a Coroa Britânica, e que todo vínculo político entre elas e a Grã-Bretanha está e deve ficar totalmente dissolvido; e que, como Estados livres e independentes, têm inteiro poder para declarar guerra, concluir paz, contratar alianças, estabelecer comércio e praticar todos os atos e ações a que têm direito os estados independentes. E em apoio desta declaração, plenos de firme confiança na proteção da Divina Providência, empenhamos mutuamente nossas vidas, nossas fortunas e nossa sagrada honra.

 


A Independência dos Estados Unidos da América


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